Minha Jornada da Escuridão à Luz: Como a Logoterapia Me Resgatou e Deu Sentido à Minha Vida

Explore a minha emocionante jornada de superação: de uma vida marcada pela dependência química à redescoberta do propósito através da Logoterapia. Uma história real de transformação que vai inspirar você a buscar seu próprio sentido.

Paulo Serpa

9/13/20256 min read

Minha Jornada da Escuridão à Luz: Como a Logoterapia Me Resgatou e Deu Sentido à Minha Vida

É com grande satisfação que compartilho mais uma reflexão aqui no blog. Na semana passada, abri meu coração sobre a minha jornada pessoal, marcada pela escuridão da dependência química e a subsequente redescoberta da luz. Hoje, quero aprofundar um aspecto crucial dessa transformação: como a Logoterapia, especialmente através de seus Valores de Atitude, me permitiu não apenas sobreviver, mas verdadeiramente prosperar e encontrar um sentido inabalável na vida.

O sofrimento, como todos nós sabemos, é uma parte indissociável da condição humana. É uma verdade universal, inevitável e, por vezes, esmagadora. Mas e se a forma como respondemos a esse sofrimento pudesse ser a chave para uma vida mais plena e significativa? É exatamente isso que a Logoterapia propõe.

Logoterapia: A Busca Inata por Sentido

Frankl, em sua obra-prima "Em Busca de Sentido", argumenta que a motivação mais profunda do ser humano não é a busca por prazer ou poder, mas sim a "vontade de sentido". Eu experimentei essa busca de forma brutal na sua ausência – aquele vazio imenso dentro de mim, o tudo cinza e sem perspectiva de futuro que sentia antes e durante o uso de drogas. Era uma sede insaciável por algo que desse significado à minha existência, e que eu, erroneamente, tentei preencher com o uso de substâncias. A Logoterapia me ensinou que o sentido não é inventado, mas descoberto, e que essa busca é uma tarefa contínua.

Para Frankl, o sentido pode ser encontrado de três maneiras principais, que ele chamou de "caminhos para a descoberta de sentido":

  1. Valores de Criação (ou Realização): Encontrados ao criar algo, realizar um trabalho, dedicar-se a uma causa ou praticar um ato.

  2. Valores de Experiência (ou Vivenciais): Descobertos ao experimentar algo, como a beleza da natureza ou da arte, a verdade, a bondade, ou ao encontrar e amar outra pessoa em sua singularidade.

  3. Valores de Atitude: São os mais profundos e, muitas vezes, os mais desafiadores. Eles se manifestam quando somos confrontados com um destino imutável, um sofrimento inevitável. Nestas situações, onde não podemos mudar as circunstâncias, nossa última liberdade reside na capacidade de escolher nossa atitude diante delas.

Valores de Atitude: Minha Última Liberdade

Os Valores de Atitude representam a capacidade do ser humano de encontrar sentido e propósito mesmo diante do sofrimento inevitável, da culpa ou da morte – o que Frankl chamou de "Tríade Trágica". Quando todas as outras fontes de sentido (criação e experiência) parecem ter se esgotado, a atitude que escolhemos tomar frente à adversidade se torna a nossa última e mais poderosa liberdade.

São os Valores de atitude que nos permitem transcender a mera vitimização. Em vez de sermos meros objetos do destino, tornamo-nos sujeitos que, com dignidade e coragem, podem transformar uma tragédia pessoal em um triunfo humano. Frankl afirmava: "Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como."

Minha própria vida é um testemunho vívido dessa verdade. A morte do meu pai por suicídio foi um golpe devastador. Inicialmente, tentei "anestesiar" essa dor com mais drogas, aprofundando minha espiral autodestrutiva. No entanto, foi a memória da sua morte, aliada à angústia do 11 de setembro de 2001, que me impulsionou a um "despertar espiritual". Naquele momento de fundo do poço, "sem esperanças", percebi que não queria o mesmo fim para mim. Essa foi minha escolha de atitude: transformar a dor e o medo em catalisadores para buscar ajuda, optando pela vida em vez da morte silenciosa da adicção. O sofrimento, embora inevitável, tornou-se a porta de entrada para um novo começo.

Durante minha internação, o exercício de conversar com o homem do espelho – algo que me era profundamente desconfortável no início – foi uma aplicação prática dos Valores de Atitude. Eu não gostava do que via; sentia vergonha, vazio. Mas, ao persistir, ao aceitar o desafio proposto pelo terapeuta de cuidar muito bem daquela pessoa, eu comecei a construir um novo relacionamento comigo mesmo. Essa atitude de autoaceitação e amor-próprio foi fundamental para o meu crescimento e a minha recuperação. Não mudei o meu passado, mas mudei minha atitude em relação a ele, ressignificando cada cicatriz.

A Profissão Como Redenção: Vivenciando a Autotranscendência

Após dois anos "limpo", em um curso de prevenção à recaída, conheci a Logoterapia. Foi amor à primeira vista! Ela ecoava em minha alma de uma forma que nada mais havia feito. Embora eu tenha me formado em psicologia e, inicialmente, dito a mim mesmo que não trabalharia com dependência química – cheguei a atuar com esporte – a vida tinha outros planos. A verdade é que a "dependência química me escolheu". Essa "escolha", essa "entrega nas mãos de um Deus amantíssimo", reflete a confiança em um sentido maior e na autotranscendência – a capacidade de ir além de si mesmo e se voltar para algo ou alguém que transcende o próprio ego.

Hoje, como psicólogo em uma clínica de tratamento, minha experiência pessoal não é um fardo, mas uma ferramenta poderosa. Ao "dar sentido para vida de pessoas que tinham perdido o sentido de suas vidas", eu vivo a autotranscendência, encontrando um profundo "sentido de vida" na criação de um impacto positivo nos outros. Minha atuação profissional é uma manifestação viva dos Valores de Atitude, onde cada paciente que ajudo a encontrar sua própria luz é um testemunho da força da escolha e da resiliência humana que Frankl tanto admirava. Minha experiência, combinada com a teoria, permite-me "enxergar com sensibilidade, clareza e respeito. Enxergar com o coração!"

A Perspectiva Única de Frankl sobre a Resiliência Humana

A Logoterapia de Frankl, forjada na fornalha dos campos de concentração, oferece uma visão inabalável da resiliência humana. Ele argumenta que, mesmo quando todas as condições externas são tiradas de nós, a "última das liberdades humanas" permanece: a capacidade de escolher nossa atitude. Não somos determinados apenas por nossa biologia, psicologia ou sociologia; somos, em última análise, autodeterminantes. Podemos nos elevar acima das circunstâncias, crescer para além delas e, se necessário, mudar a nós mesmos.

Essa é a essência do "otimismo trágico" de Frankl: a capacidade de dizer sim à vida apesar da dor, da culpa e da morte. Não é um otimismo ingênue, mas uma coragem profunda de encontrar um potencial de sentido em todas as situações, transformando o negativo em algo construtivo. Minha recuperação é uma vigilância eterna – como diz um jargão dos grupos anônimos: "Minha liberdade é minha eterna vigilância". Mas é uma vigilância que me permite viver com plenitude e propósito, mantendo-me consciente da minha escolha diária por uma vida com sentido, uma atitude proativa diante dos desafios.

Valores de Atitude no Cotidiano: Estratégias para a Vida Diária

Como podemos aplicar os Valores de Atitude em nosso dia a dia, fora das condições extremas?

  1. Conscientização: O primeiro passo é reconhecer que você sempre tem a capacidade de escolher sua atitude. Diante de um desafio, de uma frustração no trabalho, de um problema de relacionamento ou de uma doença, pergunte-se: "Como posso reagir a isso de forma que minha vida mantenha seu sentido e sua dignidade?"

  2. Autorreflexão Significativa: Em vez de focar apenas no "porquê isso está acontecendo comigo?", mude a pergunta para "para que isso está acontecendo comigo? Que sentido posso extrair ou que aprendizado posso tirar desta situação inevitável?".

  3. Ação Responsável (Mesmo que Pequena): A atitude se traduz em ação. Às vezes, a ação é interna – como a decisão de perdoar, de aceitar, ou de manter a esperança. Em outras, é externa, como oferecer apoio a alguém que enfrenta situação semelhante, tornando-se um exemplo, assim como busco fazer em minha profissão.

  4. Ressignificação: Transformar a narrativa sobre o evento. Uma demissão pode ser vista não como um fracasso, mas como uma oportunidade para buscar um novo propósito profissional. Uma doença pode ser um catalisador para reavaliar prioridades e aprofundar relações.

Escolher a Atitude, Construir o Sentido

Os Valores de Atitude são mais do que um conceito terapêutico; são uma filosofia de vida. Eles me lembraram – e nos lembram – que, mesmo quando as mãos do destino parecem atar todos os nossos movimentos, nossa liberdade mais essencial — a de escolher como reagimos — permanece intacta. Adotar essa perspectiva é um ato de coragem, uma afirmação da dignidade humana. É um caminho para transcender o sofrimento e, ao fazê-lo, descobrir um propósito e um significado que enriquecem não apenas a nossa própria existência, mas também a vida daqueles ao nosso redor.

Minha jornada da escuridão à luz não teria sido possível sem a bússola da Logoterapia, e em particular, a compreensão e vivência dos Valores de Atitude. Que possamos, a cada desafio, lembrar-nos da profunda verdade que Frankl nos legou: o sentido pode ser encontrado em qualquer circunstância, basta estarmos dispostos a buscar a atitude certa.

Você já parou para pensar em que momentos da sua vida você conseguiu transformar o sofrimento em crescimento através da sua atitude? Sua experiência é valiosa!

Na próxima publicação, vamos entender como a abordagem de Viktor Frankl nos ensina a encontrar sentido e propósito, mesmo diante do sofrimento inevitável, transformando adversidades em oportunidades de crescimento pessoal. Não perca!